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Trajetória de Piu tem bronca com apelido e vergonha por cicatrizes

Alison do Santos, mais conhecido como Piu, quebrou um jejum de 33 anos do atletismo brasileiro ao conquistar a medalha de bronze nos 400m com barreiras nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O Brasil não tinha um representante no pódio de uma prova de individual de velocidade desde a prata de Joaquim Cruz e o bronze de Robson Caetano em Seul-1988.

E não foi só no esporte que o paulista de 21 anos teve que aprender a pular barreiras. Aos 10 meses de vida, uma panela de óleo quente caiu em cima dele e causou queimaduras de terceiro grau. As cicatrizes estão na cabeça até hoje. A falta de cabelo fez com que ele tivesse vergonha e utilizasse boné por muito tempo. Ele chegou até a recusar convites para iniciar na modalidade por causa disso.

Depois de superar essa primeira barreira, ele começou a treinar em São Joaquim da Barra, sua cidade natal no interior de São Paulo, e teve que lidar com um apelido que não agradava muito no começo. Piu era o nome de um morador de rua conhecido por todos no pequeno município paulista e não tinha nenhuma semelhança física com o agora medalhista olímpico.

”O Kainan era um atleta que começou a treinar antes de mim e recebeu esse apelido de Piu, porque ele parecia com esse morador de rua. Quando eu cheguei no projeto, uma semana depois do Kainan parar de treinar, falaram que iam me chamar pelo mesmo apelido que ele tinha, de Piu. No interior é assim, o povo gosta de brincar”, contou em entrevista ao canal olímpico.

”Eu sabia quem era o verdadeiro Piu, o original. E eu não gostei do apelido. Me chamavam de Piu e eu não respondia. Esse foi o problema. Quando eu não respondi, o apelido pegou”, completou.

Com 2 metros de altura e 76kg, Piu conquistou o bronze em Tóquio com o tempo de 46s72. Foi a quarta melhor marca da história dos 400m com barreiras. Só o norueguês Karsten Warholm, que marcou 45s94 e estabeleceu novo recorde mundial, que ficou com o ouro e norte-americano Rai Benjamin (46s17) foram mais rápidos do que ele. A outra marca da lista também é de Warholm.

*Crédito da foto: Gaspar Nóbrega/COB

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