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Australiano trocou o tênis pela construção civil e agora está na 3ª rodada de Melbourne

Alcançar a terceira rodada do Australian Open para o tenista local Alex Bolt era praticamente um sonho impossível em março de 2016, quando ele resolveu abandonar as raquetes.

O atleta de 26 anos, número 155 do mundo, já bateu dois ex-top 10 nos dois primeiros jogos em Melbourne: o norte-americano Jack Sock e o francês Gilles Simon. Uma virada e tanto na carreira de quem voltou a bater a bola amarela somente no começo do ano passado.

Bolt contou a sua trajetória curiosa em entrevista ao site da ATP. Ele revelou que aprovava o seu desempenho nos treinos, mas que não conseguia colocar nada em prática nos jogos.

A gota d´água aconteceu após uma derrota para um tenista fora dos 1300 melhores da ATP. Uma conversa com Simon Rea, seu treinador na época, selou uma mudança drástica. “Simon não falou sobre tática ou meu desempenho naquele dia.Ele disse que eu deveria estar mais preocupado com meu bem-estar e minha felicidade. E ele estava certo – se eu não estava feliz jogando tênis, de que adiantava? Naquele momento, eu não pensei que voltaria a pegar numa raquete. Eu precisava de uma folga. Foi aí que a vida ficou um pouco estranha. Tênis era a única coisa que eu sabia fazer. Eu não tinha trabalhado um dia na vida”, relatou.

Para ocupar o tempo livre, Bolt topou um convite do cunhado, que trabalhava instalando e reparando cercas, e colocou a mão na massa. “Deixa eu dizer, aquilo era trabalho. Levantar paredes, cavar buracos, enfiar postes no chão. Eu não sabia muito sobre o que estava fazendo, mas eu fazia. Foram dias longos e quentes. Pode ser muito quente numa quadra de tênis, mas aquilo era duro. Eu ficava esgotado. Acordar às 5h30? Minha empolgalção acabou no segundo dia”, contou.

Apesar das dificuldades, o tenista cumpriu a tarefa. Depois disso, ele resolveu aceitar o convite de amigos e entrar para um time de futebol australiano, o Mypolonga Football Club. “Aquilo me ajudou a trazer a felicidade de volta”, resumiu.

O australiano passou a ver os antigos companheiros de tênis evoluindo na carreira. Porém, foi um telefonema de Todd Langman, treinador de Thanasi Kokkinakis, que fez com que ele mudasse de ideia e aceitasse voltar aos treinos, reencontrando a alegria na raquete e na bolinha.

Gisèle de Oliveira

Jornalista apaixonada por esportes desde sempre, foi correspondente internacional do “Diário Lance!” na Austrália, quando cobriu os preparativos para os Jogos Olímpicos de Sydney-2000, e editora do jornal no Rio de Janeiro, trabalhou na “Gazeta Esportiva” e foi colaboradora de especiais da revista “Placar”, entre outras experiências fora do universo esportivo. Mineira de nascimento, paulistana de coração, é torcedora inabalável de Rafael Nadal, Michael Phelps, Messi e Rafaela Silva. Adora tênis, natação, judô, vôlei, hipismo e curling (sim, é verdade). Sagitariana e são-paulina teimosa, agradece por ter visto a Seleção de futebol de 82 de Telê, o São Paulo também do mestre Telê, o Barcelona de Guardiola e a Seleção de vôlei de Bernardinho em seu auge. Ah, chora em conquistas esportivas, e não apenas de brasileiros.

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